Fases do Luto

Perder um ente querido não é uma das experiências mais fáceis pelas quais nós seres humanos temos que passar durante nossa vida. Fala-se muito sobre a humanização do atendimento no setor funerário e um conceito extremamente importante para as pessoas que atuam no ramo é a compreensão do luto.

Entende-se por luto como “profundo pesar pela perda de alguém”, porém há de se ressaltar que sofrem com o luto não somente as pessoas que perdem alguém em função da morte.  Por vezes as perdas são outras: um divórcio, uma doença terminal ou até mesmo a partida de um filho que vai estudar fora. Enfim, seja qual for o motivo, notam-se tipos de pensamentos e comportamentos predominantes que mudam de acordo com a fase vivida pelo enlutado.

Negação: Neste estágio o indivíduo prefere procurar alternativas para o fato que causa a dor. Muitas vezes prefere não acreditar ou tenta esquecer o fato. Pensamentos do tipo “isso não é verdade”; “Isso logo passa”; ”Vou dormir hoje e pela manhã tudo estará normal, isso é um sonho” vem acompanhados de comportamentos de busca por opinião contrária ao fato numa frustrante tentativa de ignorar a perda.

Raiva:  É o momento da “injustiça” quando a pessoa acha que isso não deveria ter acontecido, principalmente com ela. Nesta fase percebem-se emoções como inveja, ressentimentos e revolta projetadas para as pessoas que a cercam ou até mesmo para Deus: “Por que comigo?”; “Isso é uma injustiça!”. É muito comum o descontrole ao se falar sobre o assunto, evitando ao máximo falar sobre ele, negando a ajuda dos demais.

Negociação:  Neste momento promessas e juras, principalmente de caráter religioso, tendem a surgir no intuito de que as coisas se reestabeleçam dentro da normalidade. “A partir de amanhã farei orações todas as manhãs”; “Deus, dê-me a segunda chance de fazer direito desta vez”. Até mesmo nos afazeres mais corriqueiros pode haver um empenho extra no intuito da troca pelo que se perdeu.

Depressão: Eis o momento do isolamento e introspecção onde o indivíduo tende a se culpar. Tristeza e sofrimento são as emoções marcantes neste estágio. “Eu me odeio”; “Nunca mais vou sair desse sofrimento”.

Aceitação: Por fim a pessoa toma consciência das mudanças e o sofrimento já não é mais tão profundo e doloroso. Suas atitudes se tornam mais positivas diante dos fatos. “Não é o fim do mundo”; “ Superarei esta fase terrível”.

Sendo essas as fases observadas, cumpre salientar que não se trata de uma transição linear, ou pior ainda, pode haver indivíduos que ficam em alguma determinada fase por anos, apresentando muita dificuldade a chegar a aceitação, ou até mesmo nem chegam a ela.

Não há regra, vale lembrar que o momento é de sofrimento e que é preciso muita sabedoria e delicadeza para tratar qualquer tipo de assunto com pessoas em processo de luto.